O Banco do Brasil (BBAS3) aprovou dois pagamentos distintos de Juros sobre Capital Próprio (JCP) que vão cair juntos na conta dos acionistas no mesmo dia: 11 de setembro de 2026. Somados, os dois anúncios equivalem a R$ 0,1345 por ação. Entenda os valores, as datas e por que o banco reduziu sua distribuição de proventos neste ano.
Resposta direta: O Banco do Brasil vai pagar dois JCPs no dia 11 de setembro: R$ 197 milhões (antecipação do 3T26, R$ 0,0345 por ação) e R$ 584,9 milhões (complemento do 2T26, cerca de R$ 0,104 por ação após correção pela Selic). Somados, chegam a aproximadamente R$ 0,1345 por ação. Para ter direito aos dois, é preciso ter as ações até 1º de setembro.
Quanto o BBAS3 vai pagar em JCP no total?
São dois anúncios diferentes, aprovados em datas distintas, mas que compartilham a mesma data de pagamento:
- JCP complementar do 2T26: aprovado em 12 de agosto, no valor de R$ 584,9 milhões, equivalente a R$ 0,10245643978 por ação. Como esse valor é corrigido pela taxa Selic entre a data-base do balanço (30 de junho) e a data efetiva do pagamento, o montante final fica em torno de R$ 0,104 por ação.
- JCP antecipado do 3T26: aprovado em 14 de agosto, no valor de R$ 196,99 milhões, equivalente a R$ 0,0345 por ação. Diferente do primeiro, esse valor é pago à vista, sem correção pela Selic.
Somando os dois, o acionista que tiver as ações na data-com vai receber cerca de R$ 0,1345 por ação em um único crédito, no dia 11 de setembro.
Por que existem dois pagamentos diferentes na mesma data?
Essa duplicidade acontece porque os dois JCPs se referem a períodos diferentes: um é o ajuste final dos resultados do segundo trimestre (por isso é chamado de “complementar”, pagando o que faltava do trimestre que já fechou), e o outro é uma antecipação do terceiro trimestre, que ainda está em andamento. É comum que bancos façam pagamentos antecipados de trimestres futuros, distribuindo parte do resultado esperado antes mesmo do fechamento contábil completo.
Por coincidência de calendário, os dois processos convergiram para a mesma data-base (1º de setembro) e mesma data de pagamento (11 de setembro) — por isso o crédito na conta do investidor deve aparecer como um valor único, somando as duas remunerações.
Por que o payout do Banco do Brasil caiu em 2026?
O ritmo mais contido de proventos reflete uma mudança na política de distribuição do banco: o payout (percentual do lucro distribuído aos acionistas) foi reduzido para cerca de 30% em 2026, ante a faixa de 40% a 45% praticada em anos anteriores mais favoráveis.
O corte foi motivado principalmente pelo aumento da inadimplência, especialmente no crédito rural, que pressionou os resultados do banco e levou a diretoria a reforçar as provisões para devedores duvidosos. Isso se refletiu no lucro líquido ajustado do primeiro semestre de 2026, que somou R$ 7,3 bilhões — queda de 34% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Vale destacar, porém, que o resultado isolado do segundo trimestre veio acima do esperado pelo mercado: lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões, alta de 13,9% na comparação anual e 3,3% acima do trimestre anterior, superando a expectativa média de analistas (R$ 3,532 bilhões, segundo a Bloomberg). Ou seja, mesmo com o payout reduzido, o banco entregou um trimestre relativamente positivo dentro do cenário mais desafiador de crédito.
Qual o calendário de próximos pagamentos?
O Banco do Brasil já divulgou o calendário de remuneração para o restante de 2026:
- Remuneração complementar do 3T26: anúncio previsto para 11 de novembro, data-base em 23 de novembro, pagamento em 4 de dezembro
- Remuneração antecipada do 4T26: anúncio previsto para 19 de novembro, data-base em 1º de dezembro, pagamento em 10 de dezembro
Ou seja, mesmo com o payout mais enxuto neste ano, o BBAS3 mantém uma cadência regular de proventos ao longo do segundo semestre.
Vale a pena ter BBAS3 pensando em dividendos?
O Banco do Brasil segue distribuindo proventos com regularidade, mas o investidor precisa ajustar as expectativas ao novo patamar de payout — o banco está priorizando reforçar provisões diante do cenário de inadimplência mais desafiador, o que naturalmente reduz o volume distribuído no curto prazo em relação a anos anteriores.
Vale lembrar, como já explicamos em detalhe no guia sobre como funcionam os dividendos, DY e a tributação, que o JCP tem retenção de 17,5% de Imposto de Renda direto na fonte — diferente do dividendo tradicional, que segue isento. Isso vale para os dois pagamentos anunciados agora pelo BB.
O que fazer agora
Se você já tem ações do Banco do Brasil, não precisa fazer nada além de manter os papéis até 1º de setembro para garantir o direito aos dois pagamentos — o crédito combinado cai automaticamente na conta da sua corretora em 11 de setembro. A partir de 2 de setembro, as ações já negociam na condição “ex-JCP” para ambos os proventos.
