Selic: Mercado Já Espera Corte em Setembro, mas Com Pausa Depois

Gabriel Oliveira
Selic: Mercado Já Espera Corte em Setembro, mas Com Pausa Depois

Depois de reduzir a Selic de 14,25% para 14% em agosto, o Banco Central deixou o mercado sem nenhuma sinalização clara sobre os próximos passos. Agora, o Boletim Focus — pesquisa semanal do BC com economistas de mercado — já aponta um cenário mais definido: mais um corte em setembro, seguido de uma pausa até o fim do ano.

Resposta direta: O mercado espera que o Copom corte a Selic mais uma vez em setembro, de 14% para 13,75% ao ano, mas mantenha esse patamar até o fim de 2026, retomando cortes apenas em 2027. A decisão levou em conta a desaceleração da atividade econômica, mas a inflação seguindo acima da meta de 3% impede cortes mais agressivos.

O que aconteceu na última reunião do Copom?

Em agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano — uma decisão amplamente esperada pelo mercado, com cerca de 95% a 99% de probabilidade já precificada antes mesmo do anúncio. A grande dúvida do mercado não era sobre o corte em si, mas sobre o que o comunicado do Banco Central diria a respeito dos próximos passos.

O Copom, porém, optou por um tom neutro e cauteloso, afirmando apenas que o cenário atual “demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”, sem indicar se haveria novo corte ou uma pausa na reunião seguinte, em setembro.

O que é o Boletim Focus e por que ele importa?

O Boletim Focus é uma pesquisa semanal conduzida pelo Banco Central, que reúne as projeções de dezenas de instituições financeiras e casas de análise sobre indicadores econômicos como inflação, PIB, câmbio e a própria taxa Selic. Por consolidar a visão do mercado como um todo, o Focus costuma ser uma referência importante para entender qual cenário os investidores profissionais consideram mais provável — embora não seja uma garantia do que o Banco Central de fato vai decidir.

Segundo o Focus mais recente, o mercado já descartou a possibilidade de pausa em setembro que chegou a ser cogitada: a expectativa agora é de mais um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 13,75% ao ano.

Por que o mercado espera pausa depois de setembro?

Apesar da expectativa de mais um corte em setembro, a visão predominante entre os analistas é de que a Selic deve permanecer em 13,75% até o final de 2026, sem novos movimentos. Alguns fatores explicam essa cautela:

  • Inflação ainda acima da meta: as expectativas do próprio Focus apontam inflação de 5,0% para 2026 e 4,2% para 2027 — ambas acima do centro da meta de 3% perseguida pelo Banco Central.
  • Volatilidade do petróleo: oscilações no preço do barril, influenciadas por incertezas geopolíticas, adicionam um componente extra de imprevisibilidade à trajetória da inflação.
  • Ano eleitoral: com as eleições presidenciais marcadas para outubro de 2026, analistas apontam que o período pode elevar o “prêmio de risco” dos ativos financeiros — ou seja, os investidores tendem a exigir um retorno maior para compensar a incerteza política, o que também influencia a taxa de juros.

Bancos como Itaú, Santander e BTG Pactual convergem para projeções parecidas, com a Selic encerrando 2026 na faixa de 13,75%, com uma retomada gradual de cortes apenas a partir de 2027.

O que isso significa na prática para você?

A trajetória da Selic afeta diretamente diferentes tipos de investimento. Com juros ainda em patamar elevado (mesmo após os cortes), investimentos em renda fixa atrelados à Selic — como Tesouro Selic e CDBs pós-fixados — continuam rendendo de forma atrativa em termos nominais, embora o rendimento tenda a diminuir gradualmente conforme novos cortes forem confirmados.

Já para o mercado de ações, juros mais baixos tendem, historicamente, a tornar a renda variável relativamente mais atrativa em comparação à renda fixa, já que o “custo de oportunidade” de investir em ações diminui quando a Selic cai. Mas essa relação não é automática nem imediata — outros fatores, como os resultados das próprias empresas e o cenário político, continuam pesando bastante na direção da bolsa, como já vimos nos artigos sobre a sequência de quedas do Ibovespa em agosto.

Vale a pena mudar de estratégia por causa dessa expectativa?

Não necessariamente. Expectativas de mercado sobre a Selic mudam com frequência, conforme novos dados econômicos são divulgados — o próprio cenário de “pausa em setembro” que chegou a ser considerado meses atrás já foi descartado pelo mercado. Decisões de investimento baseadas unicamente em previsões de curto prazo sobre juros tendem a ser mais arriscadas do que manter uma estratégia de longo prazo bem diversificada entre renda fixa e renda variável, ajustada ao seu próprio perfil e objetivo.

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Gabriel Oliveira