Funcionários da Caixa Econômica Federal decidiram manter a greve nacional após a rejeição da proposta apresentada pelo banco. A paralisação afeta principalmente os atendimentos que dependem de empregados nas agências, enquanto aplicativos, caixas eletrônicos e outros canais digitais continuam disponíveis.
A greve dos empregados da Caixa, iniciada em 10 de setembro, continua por tempo indeterminado. A decisão foi tomada depois que a maioria das bases sindicais rejeitou a proposta final apresentada pela instituição.
A adesão, porém, pode variar conforme a cidade e a agência. Isso significa que nem todas as unidades estão necessariamente fechadas, mas o atendimento presencial pode sofrer redução, filas maiores ou interrupções.
Por que a greve da Caixa continua?
O principal ponto de conflito envolve as condições do Saúde Caixa, plano de assistência médica destinado aos empregados e aposentados da instituição.
Segundo as entidades que representam os trabalhadores, a proposta apresentada pelo banco poderia elevar os custos pagos pelos empregados, especialmente para famílias com dependentes.
Entre os pontos discutidos estão o aumento das contribuições mensais, a cobrança por dependente e a elevação do limite anual de coparticipação.
Em São Paulo, por exemplo, 68% dos participantes da assembleia votaram contra a proposta. Esse percentual corresponde apenas à base paulista e não deve ser interpretado como o resultado nacional da votação.
A Caixa afirma que permanece aberta ao diálogo e defende que a proposta apresentada buscava garantir a sustentabilidade financeira do plano de saúde.
O que previa a proposta rejeitada?
Entre as medidas apresentadas pela Caixa estavam:
- pagamento de um bônus de reconhecimento de R$ 3 mil por empregado;
- pagamento de salários reajustados, participação nos lucros, Super Caixa e do bônus em 18 de setembro, caso o acordo fosse aprovado;
- elevação do limite da participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 8% da folha salarial;
- contribuições dos empregados entre 2,30% e 4,10% do salário-base, de acordo com a faixa etária;
- cobranças entre R$ 480 e R$ 660 por dependente, também conforme a idade;
- aumento do teto anual de coparticipação familiar de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil;
- manutenção de 13 contribuições mensais para o plano de saúde;
- investimento de R$ 236 milhões em programas de prevenção e promoção da saúde a partir de janeiro de 2027.
Apesar dos benefícios financeiros incluídos na negociação, as mudanças propostas no Saúde Caixa pesaram na decisão de parte expressiva dos empregados.
Quais serviços da Caixa continuam funcionando?
Mesmo durante a greve, os clientes ainda podem realizar diversas operações pelos canais digitais e pela rede de atendimento alternativo da Caixa.
Entre os canais disponíveis estão:
- aplicativo Caixa;
- Caixa Tem;
- Internet Banking Caixa;
- WhatsApp oficial da Caixa;
- caixas eletrônicos;
- terminais da rede Banco24Horas;
- casas lotéricas;
- Correspondentes Caixa Aqui;
- aplicativo Cartões Caixa;
- aplicativo FGTS;
- aplicativo Habitação Caixa;
- aplicativo Seguro DPVAT.
Por esses canais, continuam disponíveis operações como consultas de saldo, transferências, Pix, pagamentos, movimentação de contas e contratação de alguns serviços.
Quais serviços podem ser afetados?
Os maiores impactos devem ocorrer nos procedimentos que dependem do atendimento presencial ou da análise direta de empregados da Caixa.
Podem enfrentar atrasos:
- atendimento nos caixas e mesas das agências;
- análises de crédito;
- assinaturas de contratos habitacionais;
- entrega e conferência de documentos;
- cadastros que exigem validação presencial;
- regularização de contas bloqueadas;
- atendimento relacionado a problemas que não podem ser resolvidos pelo aplicativo;
- procedimentos com biometria ou identificação presencial.
Como a adesão varia entre regiões e unidades, o cliente deve verificar a situação da agência antes de se deslocar.
Pagamentos de benefícios continuam?
Os calendários de benefícios e programas sociais operados pela Caixa não são automaticamente suspensos por causa da greve.
Valores que já estejam disponíveis poderão ser movimentados por meio do Caixa Tem, dos aplicativos, caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes bancários, conforme as regras de cada benefício.
No entanto, beneficiários que enfrentarem bloqueios cadastrais, divergências de informações ou problemas que exijam atendimento de um empregado poderão encontrar demora na solução.
Boletos e contas vencem normalmente?
Sim. A paralisação dos empregados da Caixa não prorroga automaticamente o vencimento de boletos, financiamentos, prestações ou contas de consumo.
Por isso, o cliente deve utilizar os aplicativos, o Internet Banking, os caixas eletrônicos, as lotéricas ou instituições financeiras de sua preferência para realizar os pagamentos dentro do prazo.
Caso um serviço esteja indisponível, é recomendável registrar a tentativa de pagamento por meio de capturas de tela, protocolos ou comprovantes. Esses registros poderão ser úteis em uma eventual contestação.
Como falar com a Caixa durante a greve?
Além dos aplicativos e canais digitais, os clientes podem entrar em contato com a Caixa pelos seguintes números:
- 4004-0104 — capitais e regiões metropolitanas;
- 0800-104-0104 — demais localidades.
Os horários e a disponibilidade de cada serviço podem ser consultados na página oficial de atendimento da Caixa.
Cuidado com golpes durante a greve
Períodos de greve ou instabilidade no atendimento bancário podem ser explorados por criminosos para aplicar golpes.
Desconfie de mensagens que afirmem que a conta será bloqueada, que um benefício será cancelado ou que é necessário clicar em um link para continuar recebendo pagamentos.
A Caixa não solicita senhas, códigos de segurança ou transferências por mensagens. Para acessar a conta, utilize apenas os aplicativos oficiais, o site da instituição e os números divulgados pelo próprio banco.
A Caixa pode levar a greve ao TST?
A instituição poderá recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho para pedir a abertura de um dissídio coletivo, caso não seja possível alcançar um acordo por meio das negociações.
O dissídio permite que a Justiça do Trabalho analise o conflito e estabeleça condições para encerrar o impasse. Até o momento, entretanto, essa é uma possibilidade apresentada no contexto das negociações, e não uma decisão judicial definitiva sobre a greve.
Greve da Caixa e paralisação no Banco do Brasil são situações diferentes
Embora empregados do Banco do Brasil também tenham realizado mobilizações, os movimentos não devem ser tratados como uma única greve.
No Banco do Brasil, parte das bases aprovou o acordo e retomou as atividades, enquanto algumas localidades permaneceram mobilizadas. Na Caixa, a rejeição da proposta pela maioria das bases manteve a greve nacional.
Quando a greve da Caixa termina?
A paralisação permanece sem data definida para terminar. O encerramento dependerá de uma nova proposta, da aprovação de um acordo nas assembleias dos empregados ou de um eventual encaminhamento do conflito à Justiça do Trabalho.
Enquanto as negociações continuam, clientes devem priorizar os canais digitais e evitar deslocamentos desnecessários às agências.
Em resumo
- a greve dos empregados da Caixa continua por tempo indeterminado;
- a adesão varia conforme a cidade e a agência;
- aplicativos, Internet Banking, caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes continuam disponíveis;
- atendimentos e procedimentos que dependem de funcionários podem sofrer atrasos;
- pagamentos de benefícios não são automaticamente suspensos;
- boletos e prestações continuam vencendo normalmente;
- ainda não existe uma data confirmada para o fim da paralisação.
Esta notícia poderá ser atualizada conforme o avanço das negociações entre a Caixa e as entidades representativas dos empregados.
