O 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção terminou nesta quarta-feira (7) com sete blocos do pré-sal arrematados por empresas como Petrobras, Prio e grupos estrangeiros.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as áreas negociadas representam R$ 530,47 milhões em bônus de assinatura e têm previsão de R$ 778,43 milhões em investimentos mínimos durante a fase de exploração.
O resultado estabeleceu um recorde para a Oferta Permanente de Partilha: foi o maior número de blocos arrematados em um único ciclo desde a adoção do modelo. O recorde anterior havia sido registrado em 2025, quando cinco áreas foram negociadas.
Ao todo, 13 blocos foram colocados em oferta nas bacias de Campos e Santos. Sete receberam propostas e seis terminaram o leilão sem interessados.
Petrobras e Prio levam dois blocos cada
A Petrobras arrematou os blocos Azurita e Cruzeiro do Sul, enquanto a Prio ficou com Magnetita e Hematita.
A Equinor também aparece em dois dos blocos negociados. A companhia levou Rubi individualmente e participa, com 70%, do consórcio vencedor de Rodocrosita, ao lado da Galp, que possui os 30% restantes.
Já o bloco Jade ficou com um consórcio formado pela chinesa CNOOC, com participação de 70%, e pela Sinopec, com 30%.
Os percentuais de excedente em óleo destinados à União nas ofertas vencedoras variaram entre 7,18% e 32,80%.
Apesar do recorde no número de áreas arrematadas, o leilão teve uma característica importante: não houve disputa entre empresas pelos blocos vendidos. Cada uma das sete áreas negociadas recebeu apenas uma proposta.
O resultado mostra, portanto, duas faces do leilão. Houve avanço no número de blocos contratados, mas sem uma competição direta entre diferentes grupos pelas mesmas áreas.
O que são os R$ 530 milhões arrecadados no leilão?
Os R$ 530,47 milhões correspondem aos bônus de assinatura relacionados aos sete blocos arrematados.
O bônus é um valor pago pelas empresas vencedoras para a assinatura dos contratos e não deve ser confundido com os investimentos que serão realizados posteriormente na exploração das áreas.
Para os blocos negociados nesta quarta-feira, a ANP calcula investimentos mínimos de R$ 778,43 milhões somente durante a primeira fase dos contratos, destinada à exploração.
Isso significa que o impacto econômico do leilão vai além da arrecadação inicial dos bônus.
No regime de partilha, também existe outro componente importante: parte do petróleo e do gás produzidos é destinada à União.
As empresas disputam as áreas oferecendo um percentual de excedente em óleo para o governo acima de um mínimo estabelecido no edital. Segundo a ANP, o ágio médio registrado no ciclo foi de 108,38%.
O maior ágio ocorreu no bloco Rodocrosita, chegando a 494,64% sobre o percentual mínimo definido para a área.
Área exploratória sob regime de partilha cresce 58%
Além dos valores envolvidos diretamente no leilão, o resultado amplia de forma significativa a área destinada à exploração de petróleo e gás sob o regime de partilha.
Com os sete novos blocos, a quantidade de áreas exploratórias nesse modelo passa de 13 para 22.
A extensão territorial abrangida aumenta de aproximadamente 24,8 mil quilômetros quadrados para 39,2 mil quilômetros quadrados, crescimento de cerca de 58%.
Esse avanço ajuda a explicar por que o resultado do leilão tem impacto que ultrapassa os R$ 530 milhões em bônus.
Os contratos abrem uma nova frente de investimentos no pré-sal e poderão resultar, caso as etapas exploratórias sejam bem-sucedidas, no desenvolvimento futuro de novos projetos de produção.
Ao mesmo tempo, o fato de seis blocos não terem recebido propostas e de não haver competição direta pelas áreas vendidas indica que as petroleiras continuaram seletivas na escolha dos ativos.
O que o leilão pode representar para a economia brasileira
O impacto econômico do leilão não se limita aos R$ 530,47 milhões em bônus de assinatura pagos pelas empresas vencedoras.Os R$ 778,43 milhões em investimentos mínimos previstos para a fase de exploração deverão movimentar uma cadeia que envolve fornecedores de equipamentos, serviços especializados, engenharia e diferentes atividades ligadas à indústria de petróleo e gás.Caso as pesquisas identifiquem reservas comercialmente viáveis e os projetos avancem para a produção, os efeitos econômicos poderão se estender por vários anos, com novos investimentos e geração de receitas públicas relacionadas à exploração de petróleo e gás.Esse resultado, porém, não é garantido.
Os blocos arrematados ainda estão em fase exploratória, quando as empresas estudam as áreas e avaliam a existência e a viabilidade econômica dos recursos encontrados.Por isso, o efeito mais concreto no curto prazo está nos bônus de assinatura e nos compromissos mínimos de investimento assumidos pelas vencedoras.
O impacto de longo prazo dependerá do sucesso da exploração e da eventual transformação dessas áreas em novos projetos de produção no pré-sal.
O que acontece agora?
O arremate dos blocos não significa que as empresas poderão começar imediatamente a exploração.
As vencedoras ainda precisam passar pelas etapas previstas pela ANP, incluindo qualificação, entrega de documentos e pagamento dos bônus de assinatura.
Pelo cronograma do 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, a adjudicação e homologação do resultado estão previstas até 18 de novembro de 2026.
O prazo para pagamento dos bônus de assinatura vai até 30 de dezembro, enquanto a assinatura dos contratos de partilha está prevista para ocorrer até 26 de fevereiro de 2027.
A partir daí, Petrobras, Prio, Equinor, Galp, CNOOC e Sinopec poderão avançar com os compromissos exploratórios assumidos nas áreas.
O desempenho desses projetos será importante para determinar se o recorde registrado no leilão também se traduzirá, nos próximos anos, em novas descobertas e aumento da produção brasileira de petróleo e gás.
Fontes: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); informações complementares de cobertura do leilão.
