Levantamentos divulgados em setembro mostram Lula à frente no primeiro turno, mas apontam uma disputa tecnicamente empatada contra Flávio Bolsonaro no segundo. Rejeição elevada, avaliação do governo e eleitores independentes devem ser decisivos na reta final.
A disputa pela Presidência da República ficou ainda mais acirrada. Pesquisas divulgadas pelos institutos Quaest, BTG/Nexus e Datafolha mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em situação de empate técnico nas simulações de segundo turno.
Os números variam entre os levantamentos, mas apresentam um diagnóstico semelhante: Lula permanece numericamente à frente no primeiro turno, enquanto o confronto direto contra Flávio Bolsonaro segue indefinido.
Isso não significa que os dois candidatos estejam necessariamente com a mesma quantidade de votos. O empate técnico ocorre quando a diferença registrada está dentro da margem de erro da pesquisa.
Quaest mostra empate numérico de 41% a 41%
A pesquisa Quaest divulgada em 7 de setembro apresentou o cenário mais equilibrado.
Em uma eventual disputa de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com exatamente 41% das intenções de voto cada. O levantamento também mostra que os dois candidatos enfrentam índices elevados de rejeição:
- Lula: potencial de voto de 44% e rejeição de 53%;
- Flávio Bolsonaro: potencial de voto de 40% e rejeição de 55%.
As diferenças nesses indicadores estão dentro da margem de erro. Entre os eleitores independentes, nenhum dos candidatos conseguiu construir uma vantagem decisiva.
No primeiro turno, entretanto, Lula mantém uma liderança mais clara. O presidente aparece com 36%, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury (Avante) registra 8%, enquanto os demais candidatos somam 9%. Outros 10% estão indecisos e 8% afirmam que não votariam em nenhum dos nomes apresentados.
BTG/Nexus coloca Flávio um ponto à frente
O levantamento BTG/Nexus, divulgado em 8 de setembro, apresenta Flávio Bolsonaro numericamente à frente no segundo turno, mas sem vantagem estatisticamente confirmada.
- Flávio Bolsonaro: 46%;
- Lula: 45%;
- Brancos e nulos: 8%;
- Não souberam ou não responderam: 1%.
A diferença de apenas um ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Portanto, o resultado é classificado como empate técnico.
Essa rodada representa uma mudança apenas numérica em relação ao levantamento anterior, no qual Lula tinha 46% e Flávio registrava 45%. Como as oscilações também ocorreram dentro da margem de erro, não é possível afirmar estatisticamente que houve uma virada consolidada.
No primeiro turno, Lula aparece com 39%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 35%. Augusto Cury ocupa a terceira posição, com 9%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), ambos com 4%.
A pesquisa ouviu 2.002 eleitores por telefone entre 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06790/2026.
Datafolha também aponta disputa indefinida
O Datafolha divulgado em 3 de setembro reforça o cenário de equilíbrio no confronto direto.
Na simulação de segundo turno, Lula registra 46% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro aparece com 44%. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro, configurando empate técnico.
No primeiro turno, o presidente lidera com 38%, contra 33% do senador. Augusto Cury aparece na sequência, com 8%, seguido por Ronaldo Caiado, com 4%, Renan Santos, com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%.
Pesquisas convergem sobre o segundo turno
Apesar das diferenças de metodologia, período de coleta e composição das amostras, os três levantamentos apontam para a mesma direção: Lula e Flávio Bolsonaro estão separados por uma margem muito pequena no confronto direto.
- Quaest: Lula 41% x 41% Flávio Bolsonaro;
- BTG/Nexus: Lula 45% x 46% Flávio Bolsonaro;
- Datafolha: Lula 46% x 44% Flávio Bolsonaro.
Em todos esses casos, o resultado está dentro das respectivas margens de erro. Assim, não é possível apontar um favorito estatisticamente definido para o segundo turno.
Ao mesmo tempo, também existe uma diferença importante entre as duas etapas da eleição. Lula lidera o primeiro turno nos três levantamentos, enquanto o empate aparece quando a disputa é reduzida aos dois principais candidatos.
O que significa empate técnico?
Empate técnico não significa necessariamente igualdade exata entre os candidatos. A expressão indica que a diferença observada na amostra não é suficiente para determinar, com o nível de confiança adotado, quem está efetivamente na frente no conjunto do eleitorado.
Na pesquisa BTG/Nexus, por exemplo, Flávio aparece com 46% e Lula com 45%. Embora o senador esteja numericamente à frente, a margem de erro de dois pontos impede que essa vantagem seja considerada estatisticamente conclusiva.
O mesmo raciocínio vale para o Datafolha, no qual Lula tem 46% e Flávio registra 44%. A diferença numérica favorece o presidente, mas continua dentro da margem de erro.
Pesquisas eleitorais representam uma fotografia do período em que os entrevistados foram ouvidos. Elas não funcionam como previsão definitiva do resultado das urnas.
Rejeição elevada limita o crescimento dos candidatos
Um dos principais elementos dessa disputa é a rejeição. Segundo a Quaest, Lula e Flávio Bolsonaro apresentam índices superiores a 50%, com diferença entre eles dentro da margem de erro.
Os dois candidatos contam com bases eleitorais fiéis, mas também enfrentam forte resistência fora de seus grupos políticos. Esse cenário dificulta a conquista de novos votos e aumenta a importância dos eleitores independentes, moderados e ainda indecisos.
A pesquisa mostra que 96% dos eleitores identificados como lulistas votariam em Lula no segundo turno. Do outro lado, 98% dos bolsonaristas escolheriam Flávio Bolsonaro.
Com os dois campos praticamente consolidados, a eleição tende a ser decidida pelo eleitor que não se identifica integralmente com nenhum deles.
Avaliação do governo e economia entram no centro da disputa
Por disputar a reeleição, Lula também depende da avaliação que os brasileiros fazem de seu governo. Na pesquisa Quaest, 50% desaprovam o trabalho do presidente e 43% aprovam.
Na avaliação geral da administração, 38% classificam o governo como ruim ou péssimo, 34% consideram ótimo ou bom e 25% avaliam como regular.
Os dados ainda indicam que a percepção sobre o poder de compra pode influenciar a escolha eleitoral. Embora 64% afirmem ter percebido algum crescimento da renda no último ano, apenas 10% dizem que os rendimentos aumentaram mais do que o custo de vida.
Entre os eleitores que percebem ganho real de renda, Lula apresenta desempenho mais forte. Flávio Bolsonaro, por sua vez, encontra maior espaço entre aqueles que sentem que os preços avançaram mais do que seus rendimentos.
Essa relação ajuda a explicar por que indicadores econômicos, inflação, emprego, renda e endividamento devem ocupar posição central na campanha.
Flávio Bolsonaro se consolida como principal adversário
A sequência de pesquisas também indica a consolidação de Flávio Bolsonaro como principal representante do campo de oposição na disputa presidencial.
O senador aparece em segundo lugar nos três levantamentos de primeiro turno e consegue reunir parcela significativa do eleitorado identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Esse crescimento também aumenta a atenção sobre sua campanha, suas propostas econômicas e suas posições em temas institucionais. Recentemente, Flávio ganhou destaque ao apresentar uma proposta envolvendo a ampliação do sistema prisional — assunto explicado em outro artigo do Mão na Grana.
O que pode mudar a disputa até a votação?
O cenário permanece aberto. Debates, propaganda eleitoral, desempenho dos candidatos, acontecimentos políticos e mudanças na percepção sobre a economia podem alterar as intenções de voto.
Os indecisos e os eleitores menos identificados com os dois principais campos serão especialmente disputados. Como Lula e Flávio já concentram bases bastante mobilizadas, pequenas mudanças nesse grupo podem ser suficientes para modificar a liderança numérica.
Também será necessário acompanhar se a vantagem de Lula no primeiro turno será mantida e se algum candidato atualmente colocado abaixo dos dois líderes conseguirá ganhar espaço durante a campanha.
Disputa presidencial segue sem favorito no confronto direto
As pesquisas mais recentes não permitem afirmar quem venceria um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Lula continua liderando as simulações de primeiro turno, mas sua vantagem desaparece no confronto direto. Quaest, BTG/Nexus e Datafolha colocam os dois candidatos em situação de empate técnico.
O cenário confirma uma eleição polarizada e altamente competitiva. Com rejeições elevadas e bases eleitorais consolidadas, a decisão pode depender do desempenho da economia, da avaliação do governo e da capacidade de cada campanha de conquistar os eleitores independentes.
Os números apresentados correspondem a pesquisas de intenção de voto e refletem as respostas coletadas nos respectivos períodos. Levantamentos eleitorais não representam o resultado definitivo da eleição.
