Datafolha: Lula tem 39%, Flávio Bolsonaro 35% e disputa segue acirrada

Gabriel Oliveira
Datafolha: Lula tem 39%, Flávio Bolsonaro 35% e disputa segue acirrada

Pesquisa Datafolha mostra Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, enquanto os dois aparecem tecnicamente empatados em uma eventual disputa direta pela Presidência.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 39% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 35%, segundo pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro de 2026.

A diferença entre os dois principais candidatos é de quatro pontos percentuais. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos para mais ou para menos, Lula e Flávio aparecem no limite do empate técnico, embora exista maior probabilidade estatística de o atual presidente estar numericamente à frente.

No segundo turno, a disputa fica ainda mais apertada: Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro, 44%. Os números caracterizam empate técnico.

Resultado do primeiro turno

No cenário estimulado, no qual os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, o resultado foi o seguinte:

  • Lula (PT): 39%;
  • Flávio Bolsonaro (PL): 35%;
  • Augusto Cury (Avante): 6%;
  • Ronaldo Caiado (PSD): 4%;
  • Renan Santos (Missão): 3%;
  • Romeu Zema (Novo): 2%;
  • Samara Martins (UP): 1%;
  • Edmilson Costa (PCB): 1%;
  • Clariana Barão (DC): 1%;
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 1%;
  • brancos, nulos ou nenhum: 6%;
  • não sabem: 4%.

Os números mostram uma eleição concentrada em Lula e Flávio. Somados, os dois reúnem 74% das intenções de voto no cenário apresentado pelo Datafolha.

Os demais candidatos permanecem abaixo de dois dígitos, embora Augusto Cury conserve a terceira posição, com 6%.

Distância entre Lula e Flávio diminuiu

Na rodada anterior do Datafolha, Lula tinha 38% e Flávio Bolsonaro registrava 33%. Agora, os dois oscilaram positivamente dentro da margem de erro: o presidente passou para 39% e o senador chegou a 35%.

Com isso, a diferença numérica caiu de cinco para quatro pontos percentuais. Augusto Cury, por sua vez, oscilou de 8% para 6%.

Essas variações isoladas não permitem afirmar que houve uma mudança consolidada no eleitorado, pois permanecem dentro da margem de erro. A sequência dos levantamentos, contudo, aponta para uma disputa cada vez mais concentrada nos dois primeiros colocados.

Lula e Flávio empatam no segundo turno

Em uma eventual disputa direta, Lula aparece com 46% e Flávio Bolsonaro com 44%. Os percentuais são os mesmos da rodada anterior, indicando estabilidade e empate técnico.

O Datafolha também testou Lula contra outros candidatos:

  • Lula tem 45% e Augusto Cury, 43% — empate técnico;
  • Lula tem 46% e Ronaldo Caiado, 41%;
  • Lula tem 48% e Romeu Zema, 39%;
  • Lula tem 48% e Renan Santos, 37%.

Os resultados mostram que Flávio Bolsonaro continua sendo o adversário mais competitivo de Lula no cenário de segundo turno. Augusto Cury também aparece tecnicamente empatado com o presidente, mas ainda possui uma intenção de voto muito menor no primeiro turno.

Rejeição de Lula e Flávio chega a 46%

Além do empate no segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro registram o mesmo nível de rejeição. Segundo o levantamento, 46% dos eleitores afirmam que não votariam em cada um deles em nenhuma hipótese.

Na rodada anterior, Flávio tinha 47% de rejeição e Lula, 45%. As mudanças para 46% ocorreram dentro da margem de erro.

Entre os demais candidatos, Renan Santos é rejeitado por 17%, Romeu Zema por 16%, Ronaldo Caiado por 14% e Augusto Cury por 10%.

A rejeição elevada dos dois líderes reforça o caráter polarizado da eleição. Ao mesmo tempo, torna relevante o comportamento dos eleitores que hoje apoiam os candidatos menores ou ainda não escolheram um nome.

Lula lidera entre os mais pobres

Os recortes do Datafolha mostram bases eleitorais bastante diferentes.

Entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula lidera com 47%, contra 27% de Flávio Bolsonaro. O presidente também tem vantagem entre os entrevistados com ensino fundamental, alcançando 52%, enquanto o senador registra 24%.

No Nordeste, Lula aparece com 53% e Flávio com 25%. Esse é o único recorte regional em que a liderança de um dos candidatos ocorre fora do empate técnico.

Lula também lidera entre os católicos, por 46% a 29%, e entre as mulheres, com 41% contra 30%.

Flávio lidera entre evangélicos e nas rendas mais altas

Flávio Bolsonaro tem vantagem entre os eleitores evangélicos, marcando 50%, contra 22% de Lula.

Na faixa de renda entre dois e cinco salários mínimos, o senador registra 42%, enquanto o presidente tem 31%. Entre aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos, Flávio alcança 47% e Lula, 27%.

Entre os homens, Flávio aparece numericamente à frente por 40% a 36%, mas a diferença está dentro da margem de erro do segmento.

No Sudeste, o senador tem 37% e Lula, 35%. No Sul, Flávio registra 40%, contra 29% do presidente. Apesar das diferenças numéricas, os dois aparecem tecnicamente empatados nesses recortes devido às margens de erro específicas de cada região.

Votação espontânea mostra número elevado de indecisos

Na pesquisa espontânea, quando os entrevistadores não apresentam uma lista de candidatos, Lula é citado por 33% dos eleitores e Flávio Bolsonaro por 25%.

Augusto Cury aparece com 3%, enquanto 23% ainda não sabem espontaneamente em quem votar. O número de indecisos é consideravelmente maior nesse tipo de pergunta porque o eleitor precisa lembrar e declarar um nome sem receber alternativas.

A votação espontânea ajuda a medir o grau de consolidação das candidaturas, mas não substitui o cenário estimulado, que se aproxima mais da lista que o eleitor encontrará na urna.

Pesquisa terminou antes da revelação sobre “Dark Horse”

Um detalhe metodológico é essencial para interpretar o levantamento: as entrevistas foram realizadas entre 8 e 10 de setembro.

A confirmação de que Flávio Bolsonaro é formalmente investigado no STF por operações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse” ganhou repercussão em 11 de setembro, após o encerramento da coleta.

Isso significa que os números do Datafolha não captam integralmente uma possível reação do eleitorado à revelação. O Mão na Grana explicou o que a Polícia Federal investiga no caso e qual é a versão apresentada por Flávio Bolsonaro.

Não é possível antecipar se a investigação produzirá algum efeito relevante sobre as intenções de voto. Esse impacto somente poderá ser avaliado por levantamentos realizados depois que o assunto se tornou amplamente conhecido.

Qual é o impacto da crise no STF?

A pesquisa foi realizada após o início da crise envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O episódio passou a ocupar espaço na campanha, com Flávio procurando relacionar Lula a Moraes, enquanto aliados do presidente questionaram a atuação de Mendonça.

Apesar da forte repercussão política, o Datafolha mostrou estabilidade nas posições de Lula e Flávio. Não é possível atribuir diretamente a oscilação de qualquer candidato a um único acontecimento.

Pesquisas eleitorais registram a opinião dos entrevistados no período da coleta. Elas não funcionam como previsão definitiva do resultado das urnas e podem ser influenciadas por novos acontecimentos, debates, campanhas e decisões judiciais.

Como a pesquisa foi realizada?

O Datafolha ouviu presencialmente 2.002 eleitores com 16 anos ou mais, em 125 municípios brasileiros, entre 8 e 10 de setembro de 2026.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos no total da amostra, com nível de confiança de 95%. Nos recortes por renda, religião, região, gênero, idade e escolaridade, as margens são maiores devido ao número menor de entrevistados em cada grupo.

O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01833/2026.

Em resumo

  • Lula tem 39% e Flávio Bolsonaro, 35% no primeiro turno;
  • a diferença está no limite do empate técnico;
  • Augusto Cury aparece com 6%, Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Zema com 2%;
  • no segundo turno, Lula tem 46% e Flávio, 44%, configurando empate técnico;
  • os dois candidatos registram rejeição de 46%;
  • Lula lidera entre os mais pobres, católicos, mulheres e no Nordeste;
  • Flávio lidera entre evangélicos e eleitores de maior renda;
  • a pesquisa foi encerrada antes da revelação da investigação sobre “Dark Horse”;
  • o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-01833/2026.

Este artigo poderá ser atualizado com a divulgação de novas pesquisas eleitorais ou informações oficiais sobre as candidaturas.

Fontes consultadas

Receba o Radar Mão na Grana

Toda semana, as principais notícias de economia, mercado financeiro e investimentos, diretamente no seu e-mail. Grátis!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Gabriel Oliveira