A parceria entre OpenAI e AMD voltou aos holofotes do mercado por causa de um componente que vai muito além da compra de chips: a desenvolvedora do ChatGPT pode adquirir direitos sobre até 160 milhões de ações da fabricante de semicondutores caso uma série de condições previstas no acordo seja cumprida.
O mecanismo faz parte da parceria estratégica anunciada originalmente pelas empresas em outubro de 2025 e envolve a implantação de até 6 gigawatts (GW) de capacidade computacional baseada em GPUs da AMD para atender à infraestrutura de inteligência artificial da OpenAI.
O acordo prevê a emissão de warrants que podem dar à OpenAI o direito de adquirir até 160 milhões de ações ordinárias da AMD por um preço de exercício de US$ 0,01 por ação.
Isso, porém, não significa que a OpenAI possa simplesmente comprar imediatamente todas essas ações por alguns centavos.
Os direitos são liberados em etapas e dependem do cumprimento de metas relacionadas à implantação da infraestrutura, além de outras condições previstas no acordo.
OpenAI pode ter direito a até 160 milhões de ações da AMD
A estrutura acionária foi criada como parte da parceria comercial entre as duas empresas.
Segundo documentos divulgados pela AMD, o warrant concedido à OpenAI pode abranger até 160 milhões de ações ordinárias.
O preço de exercício estabelecido é de US$ 0,01 por ação.
O número chama atenção principalmente quando comparado ao valor de mercado das ações da fabricante de chips.
Mas existe uma diferença importante entre possuir um warrant e já possuir as ações.
Um warrant concede ao detentor o direito de adquirir ações no futuro, seguindo determinadas condições previamente estabelecidas.
No caso da OpenAI, os direitos sobre as ações são adquiridos em diferentes etapas conforme determinadas metas do acordo são atingidas.
Por que a AMD daria à OpenAI o direito de comprar ações tão barato?
A estrutura funciona como um incentivo econômico para alinhar os interesses das duas empresas ao longo da parceria.
Para a AMD, a OpenAI representa um dos maiores compradores potenciais de infraestrutura de inteligência artificial do mundo.
Quanto maior for a implantação de GPUs da fabricante nos data centers utilizados pela OpenAI, maior tende a ser o volume de negócios gerado para a AMD.
Ao mesmo tempo, permitir que a OpenAI participe da valorização potencial da AMD cria um incentivo adicional para que a empresa de inteligência artificial continue expandindo sua utilização dos chips da fabricante.
Por isso, o preço de exercício extremamente baixo dos warrants não deve ser analisado isoladamente.
O acesso às ações depende do cumprimento das condições previstas no acordo.
Parceria prevê 6 GW de GPUs da AMD
O tamanho da infraestrutura envolvida ajuda a explicar por que a parceria recebeu tanta atenção do mercado.
OpenAI e AMD anunciaram um acordo para implantação de até 6 GW de GPUs da fabricante.
A primeira etapa prevê 1 GW de capacidade utilizando GPUs AMD Instinct MI450, com início planejado para o segundo semestre de 2026.
Os demais volumes devem ser implementados posteriormente conforme o desenvolvimento da parceria.
Gigawatts são normalmente utilizados para medir capacidade energética, mas passaram a aparecer com frequência nos anúncios envolvendo grandes projetos de inteligência artificial devido à enorme quantidade de eletricidade necessária para alimentar data centers e sistemas de computação avançada.
AMD tenta ganhar espaço no mercado dominado pela Nvidia
A parceria também possui importância estratégica para a AMD.
A explosão dos investimentos em inteligência artificial transformou GPUs de alto desempenho em uma das tecnologias mais disputadas do setor.
A Nvidia tornou-se a principal fornecedora desse mercado e construiu uma posição dominante no fornecimento de aceleradores utilizados no treinamento e execução de modelos de inteligência artificial.
A AMD tenta ampliar sua participação com a família de GPUs Instinct.
Conquistar uma cliente do tamanho da OpenAI representa, portanto, não apenas uma oportunidade de receita, mas também uma vitrine importante para a tecnologia da companhia.
Uma implantação em escala de vários gigawatts pode ajudar a AMD a demonstrar que sua arquitetura consegue operar em grandes infraestruturas de IA.
OpenAI também busca diversificar sua infraestrutura
Do lado da OpenAI, a parceria ajuda a ampliar as alternativas disponíveis para sustentar a expansão da capacidade computacional necessária para seus modelos.
Treinar e operar sistemas avançados de inteligência artificial exige quantidades crescentes de GPUs, data centers, eletricidade e infraestrutura de rede.
Depender excessivamente de um único fornecedor pode representar um risco operacional e financeiro.
A adoção de GPUs da AMD oferece à OpenAI mais uma alternativa para expandir sua infraestrutura à medida que cresce a demanda por seus serviços.
Warrants podem provocar diluição para acionistas da AMD?
A possibilidade de emissão de até 160 milhões de novas ações também levanta uma questão importante para investidores da AMD: a diluição acionária.
Quando uma empresa emite novas ações, a participação proporcional dos acionistas existentes pode diminuir.
Isso não significa necessariamente que o acordo seja negativo para os investidores.
A análise depende de uma equação mais ampla.
Se a parceria gerar receitas, lucros e crescimento suficientes para a AMD, o benefício econômico do negócio pode compensar o efeito da emissão adicional de ações.
Por outro lado, investidores precisam considerar o potencial aumento do número de papéis em circulação caso as condições para exercício dos warrants sejam cumpridas.
Acordo pode movimentar dezenas de bilhões de dólares
Quando a parceria foi anunciada, executivos envolvidos no negócio indicaram que a implantação da infraestrutura poderia representar dezenas de bilhões de dólares em receitas para a AMD.
Também foram mencionadas expectativas de que o ecossistema relacionado ao acordo pudesse gerar mais de US$ 100 bilhões em novas receitas para AMD e parceiros ao longo de quatro anos.
Esses valores são projeções associadas ao desenvolvimento da parceria e não representam receita já garantida.
A efetiva geração desses recursos dependerá da implantação da infraestrutura, da demanda da OpenAI e do cumprimento das diferentes etapas previstas no acordo.
O que acontece agora?
O próximo grande marco operacional é a implantação inicial de 1 GW utilizando GPUs Instinct MI450, prevista para começar no segundo semestre de 2026.
A evolução dessa infraestrutura será particularmente importante para investidores porque parte dos direitos relacionados aos warrants depende do cumprimento das metas estabelecidas entre as empresas.
Por isso, o acordo entre AMD e OpenAI não deve ser observado apenas como uma grande encomenda de chips.
Ele conecta infraestrutura de inteligência artificial, participação acionária e competição no mercado global de semicondutores em uma mesma operação.
Para a AMD, o desafio será transformar a enorme demanda por capacidade computacional da OpenAI em crescimento de receita suficiente para justificar os incentivos concedidos.
Para a OpenAI, a parceria representa mais uma peça na corrida para garantir a infraestrutura necessária para sustentar a expansão de seus modelos e serviços de inteligência artificial.
