Quaest: Flávio tem 45% e Lula 44%; rejeição do petista cai 6 pontos

Gabriel Oliveira
Quaest: Flávio tem 45% e Lula 44%; rejeição do petista cai 6 pontos

A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (21), mostra Flávio Bolsonaro com 45% e Luiz Inácio Lula da Silva com 44% das intenções de voto no segundo turno da eleição presidencial.

A diferença entre os candidatos é de apenas 1 ponto percentual, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Os dois estão, portanto, tecnicamente empatados a quatro dias da votação.

Mas a principal mudança registrada pela Quaest não ocorreu na intenção de voto. A rejeição de Lula caiu 6 pontos em uma semana, passando de 53% para 47%.

A rejeição de Flávio também oscilou para baixo, de 54% para 52%, uma variação de dois pontos.

A pesquisa ouviu 2.154 eleitores entre os dias 17 e 20 de outubro.

Flávio tem 45% e Lula 44% na pesquisa Quaest

No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, o resultado é:

Cenário estimulado%
Flávio Bolsonaro45%
Lula44%
Branco/nulo/não pretende votar9%
Indecisos2%

A vantagem numérica de Flávio é de apenas um ponto percentual.

Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, não é possível apontar liderança estatisticamente significativa entre os candidatos.

Nos votos válidos, diferença é de 1,12 ponto

Quando são considerados apenas os votos válidos, excluindo brancos, nulos e entrevistados sem escolha válida, a disputa fica ainda mais fácil de visualizar:

CandidatoVotos válidos
Flávio Bolsonaro50,56%
Lula49,44%

A diferença é de:

1,12 ponto percentual

Os percentuais de votos válidos ajudam a aproximar o levantamento da forma como o resultado oficial da eleição é calculado, já que votos brancos e nulos não entram na definição do vencedor.

Isso não elimina, entretanto, a margem de erro da pesquisa.

O que mudou desde a última pesquisa Quaest?

A comparação mais adequada para observar a evolução da disputa é entre pesquisas realizadas pelo mesmo instituto.

Na rodada anterior da Quaest, divulgada em 14 de outubro, Flávio tinha 46% e Lula, 44%.

Agora, os números são 45% e 44%, respectivamente.

QuaestFlávio BolsonaroLula
14/1046%44%
21/1045%44%
Variação-1 p.p.0 p.p.

Flávio oscilou um ponto percentual para baixo, enquanto Lula permaneceu numericamente estável.

As movimentações estão dentro da margem de erro.

Por isso, os números não permitem afirmar que Lula cresceu na intenção de voto entre as duas rodadas. O estreitamento da distância ocorreu porque Flávio oscilou de 46% para 45%.

Outros institutos também vêm mostrando uma disputa apertada nesta reta final. A pesquisa BTG/Nexus divulgada anteriormente mostrou Flávio com 50,3% e Lula com 49,7% dos votos válidos.

Os levantamentos, porém, não devem ser tratados como uma única série histórica, porque utilizam metodologias, amostras e períodos de coleta próprios.

Rejeição de Lula cai 6 pontos em uma semana

A principal mudança encontrada pela Quaest aparece quando os entrevistados são questionados sobre rejeição.

Veja a evolução:

Rejeição14/1021/10Variação
Flávio Bolsonaro54%52%-2 p.p.
Lula53%47%-6 p.p.

A rejeição de Lula caiu de 53% para 47%, uma diferença de seis pontos percentuais.

A variação supera a margem de erro geral de dois pontos do levantamento.

Já a rejeição de Flávio passou de 54% para 52%.

Com isso, também mudou a distância entre os dois candidatos nesse indicador.

Na pesquisa anterior, Flávio tinha 54% de rejeição contra 53% de Lula, diferença de apenas um ponto.

Agora são:

Flávio: 52%

Lula: 47%

A diferença numérica passou para 5 pontos percentuais.

A pesquisa mostra a mudança, mas não permite concluir, isoladamente, o que provocou a queda na rejeição de Lula.

Na pesquisa espontânea, Flávio e Lula têm 40%

Quando a Quaest pergunta espontaneamente em quem o entrevistado pretende votar, sem apresentar os nomes dos candidatos, o resultado é de empate numérico:

Flávio Bolsonaro: 40%

Lula: 40%

Indecisos: 14%

Branco/nulo/não pretende votar: 6%

O percentual de indecisos é significativamente maior do que os 2% encontrados no cenário estimulado.

Isso não representa necessariamente uma contradição.

Quando os nomes são apresentados, eleitores que não mencionam espontaneamente um candidato podem indicar uma preferência diante das opções disponíveis.

90% dizem que decisão de voto é definitiva

Outro dado da Quaest mostra que a maior parte do eleitorado declara estar com a escolha consolidada.

Segundo o levantamento:

90% afirmam que sua decisão de voto é definitiva.

O dado reforça um fenômeno que também apareceu em outros levantamentos recentes.

Na pesquisa Real Time Big Data publicada pelo Mão na Grana, 93% dos entrevistados disseram já ter definido o voto.

Os percentuais não devem ser comparados diretamente como se fossem uma única pesquisa, já que são levantamentos de institutos diferentes e as perguntas e metodologias não são necessariamente idênticas.

Em conjunto, porém, eles mostram que diferentes pesquisas vêm encontrando elevado grau declarado de definição do voto na reta final do segundo turno.

Nordeste e Sul mostram cenários praticamente opostos

A pesquisa também mostra diferenças expressivas entre as regiões brasileiras.

No Nordeste:

Lula: 61%

Flávio: 31%

No Sul:

Flávio: 61%

Lula: 28%

No Sudeste, Flávio aparece numericamente à frente, com 48%, contra 39% de Lula.

No agrupamento Norte/Centro-Oeste, Flávio registra 49% e Lula, 41%.

Os resultados regionais devem ser interpretados com cautela adicional, já que são calculados a partir de subconjuntos menores da amostra nacional.

Flávio lidera entre evangélicos; Lula, entre católicos

As diferenças também aparecem quando os entrevistados são separados por religião.

Entre os evangélicos:

Flávio: 58%

Lula: 30%

Entre os católicos:

Lula: 50%

Flávio: 40%

Os números mostram bases eleitorais bastante diferentes mesmo em uma eleição nacional praticamente empatada dentro da margem de erro.

44% temem volta dos Bolsonaro; 42% temem reeleição de Lula

A Quaest também perguntou aos entrevistados qual dos dois possíveis resultados da eleição provoca mais medo.

Segundo o levantamento:

44% dizem ter mais medo da volta da família Bolsonaro ao poder.

42% dizem ter mais medo da reeleição de Lula.

A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro.

O resultado mostra o peso da rejeição na disputa presidencial, mas não significa que todos esses eleitores estejam escolhendo seu candidato exclusivamente por medo ou rejeição ao adversário.

Economia é apontada como principal desafio do próximo presidente

Além da corrida eleitoral, a Quaest perguntou aos brasileiros qual será o principal desafio do próximo presidente.

O item mais citado foi:

crescimento econômico e saída da crise: 21%

Na sequência aparecem:

Violência e criminalidade: 13%

Inflação: 7%

Corrupção: 7%

Saúde: 7%

Pobreza e fome: 5%

Emprego: 5%

Redução de impostos: 3%

Controle dos gastos e da dívida pública: 3%

O resultado coloca a economia no topo das preocupações mencionadas pelos entrevistados para o próximo governo.

O presidente eleito no domingo terá pela frente decisões sobre inflação, juros, contas públicas, impostos, emprego, investimentos e ambiente empresarial, temas com impacto direto sobre empresas e o bolso da população.

69% dizem que a renda aumentou, mas só 16% relatam ganho acima do custo de vida

Outro bloco da pesquisa trata da percepção dos brasileiros sobre a renda familiar no último ano.

Segundo a Quaest:

16% afirmam que a renda aumentou mais do que o custo de vida.

32% dizem que a renda aumentou na mesma proporção que o custo de vida.

21% afirmam que a renda aumentou menos que o custo de vida.

28% dizem que a renda não aumentou.

Somadas as três primeiras respostas, 69% relatam algum aumento da renda familiar.

O número, porém, exige uma distinção importante.

Aumento da renda não significa necessariamente aumento do poder de compra.

Para 21% dos entrevistados, por exemplo, a renda cresceu, mas menos do que o custo de vida.

Outros 32% relatam que os dois avançaram na mesma proporção.

Apenas 16% dizem que a renda aumentou mais do que o custo de vida, situação que indica melhora relativa nessa percepção específica.

Por isso, olhar apenas para os 69% sem considerar a relação com o custo de vida pode produzir uma interpretação incompleta do levantamento.

Pesquisa Quaest não mede exclusivamente o efeito do debate da Band

O período de coleta precisa ser considerado antes de relacionar os resultados ao debate presidencial realizado pela Band.

As entrevistas da Quaest foram feitas entre:

17 e 20 de outubro

O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorreu:

18 de outubro

Portanto, parte dos entrevistados respondeu antes do confronto e outra parte foi ouvida depois.

A pesquisa pode captar parcialmente o ambiente eleitoral posterior ao debate, mas não é um levantamento realizado integralmente depois do confronto.

Por isso, não é possível atribuir a queda da rejeição de Lula ou qualquer outra movimentação encontrada pela pesquisa diretamente ao desempenho dos candidatos no debate.

Outros acontecimentos políticos e econômicos também ocorreram durante o período de coleta e podem influenciar a percepção dos entrevistados.

Veja a metodologia da pesquisa Quaest

O levantamento foi realizado pela Quaest a pedido da TV Globo e do jornal O Globo.

Confira os principais dados:

Instituto: Quaest

Contratantes: TV Globo e O Globo

Entrevistados: 2.154 eleitores

Idade: 16 anos ou mais

Período de coleta: 17 a 20 de outubro de 2026

Método: entrevistas presenciais domiciliares

Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos

Nível de confiança: 95%

Registro no TSE: BR-08535/2026

Margem de erro, período de coleta e metodologia devem ser considerados na interpretação dos resultados.

Segundo turno acontece no domingo

Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno da eleição presidencial no próximo domingo, 25 de outubro.

A quatro dias da votação, a Quaest mostra os dois candidatos tecnicamente empatados, com 45% para Flávio e 44% para Lula.

A intenção de voto apresentou apenas oscilações dentro da margem em relação à rodada anterior.

A principal mudança ocorreu na rejeição: Lula passou de 53% para 47% em uma semana, enquanto Flávio oscilou de 54% para 52%.

Os próximos levantamentos serão importantes para verificar se essa redução da rejeição se mantém e se a disputa continua tecnicamente empatada até a votação.

Pesquisas com período de coleta realizado integralmente após o debate da Band também poderão oferecer uma fotografia mais específica do cenário eleitoral nos últimos dias da campanha.

Fontes: Quaest, Tribunal Superior Eleitoral e dados públicos divulgados sobre o levantamento.

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