O petróleo Brent voltou a ser negociado abaixo de US$ 100 por barril nesta segunda-feira (21), em meio à expectativa de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã e à recuperação de parte das exportações da Arábia Saudita.
O movimento representa uma mudança importante depois da forte alta registrada pelo petróleo nas últimas semanas, quando o agravamento dos conflitos no Oriente Médio aumentou os temores sobre possíveis interrupções no fornecimento global.
Para o consumidor brasileiro, a queda ajuda a reduzir a pressão internacional sobre os combustíveis. Isso, porém, não significa que a gasolina ficará mais barata imediatamente nos postos.
O preço pago pelo motorista depende não apenas da cotação internacional do petróleo, mas também do dólar, da política comercial das refinarias, dos impostos e das margens de distribuição e revenda.
Petróleo volta a ficar abaixo dos US$ 100
O Brent, referência internacional utilizada no mercado de petróleo, chegou a ser negociado abaixo de US$ 100 por barril nesta segunda-feira.
É uma mudança relevante em relação ao movimento observado no início de setembro.
No dia 9, o Brent havia fechado a US$ 101,21 por barril após ataques a navios aumentarem as preocupações com o fornecimento de petróleo no Oriente Médio.
No dia seguinte, a commodity avançou mais de 6% e encerrou a sessão em US$ 107,63.
A escalada chegou a reacender discussões sobre possíveis impactos nos preços dos combustíveis em diferentes países, incluindo o Brasil.
Agora, parte desse chamado prêmio de risco começa a diminuir à medida que o mercado observa sinais de melhora no fornecimento e possíveis avanços diplomáticos.
Por que o preço do petróleo caiu?
A queda não possui apenas uma causa.
Um dos principais fatores é a expectativa de que Estados Unidos e Irã possam avançar em negociações diplomáticas durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.
Qualquer redução nas tensões entre os países tende a diminuir o risco percebido de interrupções na produção ou no transporte de petróleo na região.
Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita começou a recuperar parte de sua capacidade de exportação após problemas recentes na infraestrutura de transporte.
A combinação de menor percepção de risco geopolítico e recuperação da oferta ajudou a pressionar as cotações para baixo.
Exportações da Arábia Saudita começam a se recuperar
A recuperação das exportações sauditas é um dos pontos importantes para entender o movimento recente do petróleo.
Depois de ataques afetarem a infraestrutura de transporte do país, a Saudi Aramco aumentou novamente os embarques realizados pelo Golfo.
Dados de rastreamento de navios citados pela Reuters indicam que aproximadamente 14 milhões de barris foram carregados em sete grandes petroleiros no terminal de Ras Tanura em 20 de setembro.
As exportações sauditas pelo Estreito de Ormuz chegaram a aproximadamente 2,9 milhões de barris por dia na última semana.
Em agosto, o volume estava próximo de 700 mil barris diários.
A recuperação ajuda a diminuir o receio de escassez no mercado internacional, embora as condições de transporte na região ainda estejam longe da normalidade.
EUA e Irã podem reduzir tensões?
Outro fator acompanhado pelos investidores é a possibilidade de retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã.
A expectativa de negociações durante a Assembleia Geral da ONU ajudou a reduzir parte do prêmio de risco incorporado ao preço do petróleo.
Isso não significa que exista um acordo confirmado entre os países.
As tensões geopolíticas continuam e qualquer novo ataque, interrupção de infraestrutura ou deterioração das negociações pode provocar novas oscilações nas cotações.
Por isso, o mercado continua acompanhando de perto os acontecimentos no Oriente Médio.
Petróleo abaixo de US$ 100 significa gasolina mais barata?
Não necessariamente.
A queda do petróleo internacional é positiva para reduzir a pressão sobre os custos dos combustíveis, mas o preço do barril é apenas uma das variáveis que determinam quanto o motorista brasileiro paga pela gasolina.
Além disso, mudanças no mercado internacional não costumam chegar imediatamente aos postos.
Para que uma queda do petróleo resulte em combustível mais barato no Brasil, é necessário observar também o comportamento do dólar e eventuais alterações nos preços praticados pelas refinarias.
Mesmo depois de uma redução nas refinarias, ainda existe o processo de distribuição até que o combustível chegue ao consumidor.
Portanto, Brent abaixo de US$ 100 reduz uma fonte de pressão sobre a gasolina, mas não garante queda automática na bomba.
O que determina o preço da gasolina no Brasil?
O valor encontrado nos postos é formado por diferentes componentes.
Entre eles estão o custo da gasolina produzida ou importada, impostos federais e estaduais, custos de distribuição e comercialização, margens dos postos e a mistura obrigatória de etanol anidro.
O câmbio também exerce influência importante.
Como o petróleo é negociado internacionalmente em dólares, uma valorização da moeda americana frente ao real pode compensar parte de uma queda na cotação do barril.
Da mesma forma, petróleo mais caro não significa necessariamente aumento imediato e proporcional nos postos.
A política comercial adotada pelas refinarias também interfere na velocidade e na intensidade com que movimentos internacionais chegam ao mercado brasileiro.
Petróleo ainda pode voltar a subir?
Sim.
Apesar da queda abaixo dos US$ 100, os riscos geopolíticos que provocaram a forte valorização recente ainda não desapareceram.
O transporte de petróleo na região continua enfrentando dificuldades, e os custos de frete aumentaram significativamente em determinadas rotas.
Operações de transferência de petróleo entre navios também ganharam importância para manter o fluxo da commodity.
Segundo informações da Reuters, custos de transporte em algumas rotas chegaram a superar US$ 30 por barril durante o período de maior tensão.
Uma nova interrupção relevante no Estreito de Ormuz ou em outras rotas estratégicas poderia voltar a pressionar rapidamente as cotações.
Por que o Estreito de Ormuz é importante para o petróleo?
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo e gás do mundo.
Localizado entre o Irã e Omã, o estreito conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.
Grandes produtores da região utilizam essa passagem para enviar petróleo aos mercados internacionais.
Por esse motivo, conflitos ou ameaças à navegação na região costumam provocar reação imediata nas cotações.
Mesmo quando não há interrupção completa do transporte, o aumento dos custos de seguro, frete e segurança pode elevar o custo de movimentação do petróleo.
O que acompanhar nos próximos dias
O mercado deverá continuar atento principalmente às negociações envolvendo Estados Unidos e Irã e à capacidade dos países produtores de manter suas exportações.
Também será importante observar a evolução do transporte pelo Estreito de Ormuz e possíveis novos ataques contra infraestrutura energética.
No Brasil, para quem está de olho no preço da gasolina, os principais pontos serão o comportamento do Brent, a cotação do dólar e eventuais mudanças nos preços praticados pelas refinarias.
A queda abaixo dos US$ 100 representa um alívio em relação às máximas recentes, mas o cenário internacional continua volátil.
Para o consumidor, portanto, o movimento é uma redução da pressão sobre os combustíveis, e não uma garantia de gasolina mais barata.
Fontes: Reuters, dados do mercado internacional de petróleo e informações sobre o mercado brasileiro de combustíveis.
O petróleo Brent voltou a ficar abaixo de US$ 100 por barril. Entenda por que o preço caiu e se o movimento pode deixar a gasolina mais barata no Brasil.
